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Uma
vida repleta de aventuras
Se
tivesse seguido o desejo do pai, Acácio Boring poderia
estar hoje fiscalizando alguma reserva ecológica na Mata
Atlântica ou na Amazônia. Seu pai, Herbert Von Martius
Boring, foi um respeitado antropólogo, biólogo e
botânico e sonhava para o filho uma profissão em
que estivesse em íntimo e constante contato com a natureza.
Acácio, porém, tinha outros sonhos. Ou, como ele
diz, “eu não tinha sonho algum, tudo o que eu queria
era correr o mundo em busca de aventuras”. E assim fez,
ao sair de casa aos 16 anos e passar dois anos sem dar qualquer
notícia à família. Na década seguinte,
foi garçom em Singapura, domador de tigres em Bangladesh,
plantador de chá em Bombaim, equilibrista em Budapest,
seminarista em Dublin, guia turístico em Viena e professor
de dança em Cuba.
Durante uma turnê em Miami com o grupo folclórico
Los Timbales de Havana, conheceu o empresário
Oliswaldo Ferrão, de quem se tornou amigo
íntimo e com quem saiu num safári de três
anos pela África, onde quase foram devorados por canibais.
Quase meio século depois, já aposentado, reencontrou-se
com Ferrão, que se inscrevera na escola de dança
onde Boring era professor de charleston. O empresário acabara
de fundar o SacolãoBrasil e o convidou
a voltar ao Brasil e a escrever uma coluna sobre os altos e baixos
da terceira idade, setor que Acácio domina como poucos.
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