Mercedes Eulália Santilla

Mercedes Eulália Santilla, a querida e nostálgica Vovó Santinha, não abre mão de duas coisas: visitar os oito netos na Páscoa e relembrar os bons tempos de uma confeitaria antiga de Petrópolis, cidade onde nasceu, 74 anos atrás. O local, o preferido pela nata da sociedade carioca até os anos 60, é hoje, segundo ela conta, “apenas um fantasma do passado, freqüentado por tipos horríveis comendo coxinhas e croquetes escorrendo gordura”.

Ela relembra: “Nos doces anos 40 e 50, a confeitaria pululava de pessoas civilizadas, a fina flor da sociedade carioca, petropolitana e brasileira, aguardando pacientemente que impecáveis garçons servissem o chá com a insuperável torrada com a forma Petrópolis, que até hoje é fabricada por lá e continua uma delícia. Sem falar nos caramelos de frutas!Mas se foram para sempre o ambiente, a atmosfera, aquela gente inspiradora de antigamente. Como comer hoje uma forma,um chá com torrada tendo ao lado um truculento e suarento cidadão, que grita e não fala e palita os dentes ?”, desabafa.

Nossa popular colunista da terceira idade (junto com Acácio Boring), nega que só se interessa pelo passado, assunto dominante em sua seção “Lembranças da Vovó Santinha”.

“O presente e, vez por outra o futuro, também me fascinam”, ela conta. “Mas o passado tem importância especial, pois foi lá onde vivi a maior parte da minha existência. Foi lá onde aconteceram as melhores coisas da nossa vida, e de muitas das minhas leitoras, e deixaram marcas para sempre. Dessa maneira, tento nos meus escritos reviver o que de bom aconteceu comigo e mostrar para a nova geração como eram maravilhosos aqueles anos dourados”.

Com um sorriso irônico, e a doçura de sempre, ela acrescenta: “Além do mais, os tempos atuais não passam de uma grande porcaria”.

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Edição 006
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