Palhaço Patuleia

Genésio Gomes Sobrinho, 60 anos, está há mais de quatro décadas nos picadeiros, com o nome artístico de Palhaço Patuleia. Ele começou aos 14 anos como ajudante do avô, o célebre Urtiga, que nos anos 40, em plena ditadura, ousou gritar num show do Circo Fantasia: “Doutor Getúlio, queremos liberdade!” Foi detido e ficou preso uma semana.

Impressionado com o episódio, o garoto Genésio concluiu que o circo não era vida para ele e decidiu se tornar professor.

Depois de dois anos lecionando em escolas da periferia de Petrópolis, descobriu que havia muito em comum entre o circo e as salas de aula. “É uma palhaçada a vida de professor, de tão sacrificada e humilhante”, diz. “Palhaçada por palhaçada, prefiro ser palhaço de verdade”.Voltou então para o circo, incentivado pelo pai, o famoso Chorumela, que em 1974 tirou o terceiro lugar no concurso O Mundo é Uma Palhaçada,que acontece todo ano em Brasília.

40 anos depois da estréia, ele diz que o circo é paixão e microcosmo do Brasil, que nunca vai pra frente, porque os governantes não levam nada a sério.Quando lhe perguntam se os quatro filhos não se interessaram em seguir a carreira dele, Patuléia dá um suspiro de alívio: “Graças a Deus, não.E nem professor”. Em seguida, com a ferina ironia que se tornou marca registrada, acrescenta: “Mas há sempre o perigo de coisa ainda pior: virarem políticos”.

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