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Outro
garoto desperta protestos contra EUA
Por
Fred Delhorme
Depois
do rumoroso caso do garoto cubano Elián, outro menino pode
se tornar o estopim de nova onda de protestos contra os Estados
Unidos. François Famine, de 11 anos, que vive em Port-au-Prince,
no Haiti, teve sua viagem para Nova York vetada pela embaixada
americana da capital haitiana.
Famine pretendia se juntar ao pai, Jean-Claude, que cinco meses
atrás fugiu de seu país, perseguido pela fome e
pelas autoridades locais. Acusado de contrabandista e de explorador
de menores, ele roubou um uniforme dos fuzileiros navais americanos,
viajou como clandestino num navio liberiano e conseguiu desembarcar
e se esconder em Nova York.
Ouvido por um repórter de uma rádio do Haiti, em
algum lugar da cidade americana, Jean-Claude explicou por que
não levou o filho: "Eu não tinha comida nem
para mim, como ia arranjar pro menino? Além do mais, François
só ia atrapalhar a minha fuga".
Ele diz também que, apesar da pouca idade, seu filho sempre
consegue algum dinheiro, "roubando galinhas para usar em
sessões de vodu ou então pedindo esmolas na porta
das embaixadas".
A semana passada, François sentiu saudades do pai e começou
a chorar na porta da embaixada dos EUA. E despertou a atenção
da americana Agnes Moorehead Corby, que visitava um amigo diplomata.
Depois de conhecer François, ficou penalizada e decidiu
ajudá-lo. Milionária, dedicada a causas sociais
e viúva de um importante banqueiro de Wall Street, ela
usou sua influência: primeiro tentou levar o garoto para
os Estados Unidos, mas foi impedida pelas autoridades americanas
da imigração.
Além de pobre, sem meios de sustento e desajustado, segundo
um porta-voz da embaixada, François não pode se
unir ao pai em Nova York porque é clandestino e seu paradeiro
é desconhecido. Se Jean-Claude vier a público, certamente
será preso e expulso do país.
Surgiram então o impasse e protestos. Anteontem, cerca
de 20 haitianos promoveram uma passeata pelas ruas de Nova York
até à sede das Nações Unidas, pedindo
que o governo americano deixe o garoto morar nos Estados Unidos.
Entre os cartazes e faixas dos manifestantes dois diziam: "Famine
tem fome, Elián não tem!" e "Tragam Famine
para o Primeiro Mundo".
O grupo foi dispersado pela polícia, mas o porta-voz dos
manifestantes, Jacques Papadocq Chevalier, garantiu que vai reunir
toda a comunidade haitiana da cidade e iniciar passeatas de protesto
por vários bairros. E propõe: "Por que não
um slogan? Elián em Cuba e Famine aqui".
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