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Homem
assalta irmã
também assaltante
Por
Hanelore Mundwasser Cavalcanti
Jovino
Lima da Silva e Maria Conceição Patrocínio
foram presos ontem numa das ruas mais movimentadas do centro da
cidade e também protagonistas de uma incrível história
de coincidência e falta de sorte. O delegado Reinaldo Aroeira
Marrano contou o caso em detalhes, e com humor, lamentando o azar
dos dois.
Jovino, de 35 anos, com várias passagens pela polícia,
por assalto e roubo, viu Maria Conceição,de 59 anos,
distraída e com uma grande bolsa aberta olhando a vitrine
de uma loja. Encostou nela uma faca e anunciou o assalto. A mulher,
de aparência distinta e, por isso mesmo, de acordo com o
delegado, incapaz de despertar qualquer suspeita, fingiu que pegava
dinheiro na bolsa, puxou rapidamente um revólver e enfiou
na barriga de Jovino que, assustado, deixou cair a faca no chão.
Toda a cena foi presenciada pelo delegado Marrano, que estava
na porta da loja aguardando sua esposa, em companhia de outro
policial, o investigador Guido Buonfiglio. Agiram rápido
e deram voz de prisão ao assaltante.
Planos
na prisão
A
dupla surpresa iria acontecer na delegacia, para onde o casal
foi levado. Jovino é velho conhecido da polícia,
mas Maria Conceição, que os policiais já
iam liberar como vítima, deixou a bolsa aberta na mesa
e o investigador Buonfiglio descobriu por acaso em seu interior
oito relógios, quatro carteiras de identidades femininas
e masculinas e dois telefones celulares. Interrogada, ela acabou
confessando que vive de assaltos há 30 anos e usa diversos
nomes falsos em seis cédulas de identidade, todas falsificadas.
Quando o delegado ordenou que declarasse o verdadeiro nome e ela
disse que se chamava Maria Conceição Patrocínio
Lima da Silva, Jovino, com ar de espanto, perguntou de onde ela
era. A ladra disse que tinha nascido num lugarejo do interior
de Minas Gerais.Depois de mais algumas perguntas,foi então
que Jovino e Maria Conceição tiveram a surpresa
maior: ele é o filho caçula da família e
ela, a irmã mais velha, e não se viam há
mais 20 anos. Na cela, onde aguardavam a chegada do escrivão,
os dois irmãos conversaram animadamente, e, segundo Jovino,
"temos tempo de sobra pra botar a conversa em dia e fazer
planos pra quando a gente voltar pra rua".
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