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Correspondente
na Europa
Tenho
de recorrer à famosa conclamação, feita por
Marx e Engels, no "Manifesto Comunista", modificando-a
ligeiramente - no original é "Trabalhadores do mundo,
uni-vos!" - para expressar o pânico que tomou conta,
aqui, na Suíça, de poupadores e pequenos investidores
(leia-se especuladores e, às vezes, sonegadores), por conta
do cerco que vem se fechando contra a chamada "lavagem"
de dinheiro, procedente de todas as partes do mundo.
A coisa toda começou há dois anos, quando, por pressão
da União Européia e dos Estados Unidos, as tradicionais
leis suíças, que protegiam com o sigilo bancário
a identidade de qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo, que
aplicasse algum dinheiro nos bancos locais. Agora, o investidor,
ao abrir a conta, tem de fornecer diversas informações,
tais como, a procedência do dinheiro, onde (em que país)
teve origem, se foi aplicado antes em algum outro "paraíso"
fiscal etc.
Além disso, as autoridades locais alertam o investidor
de que todos os seus dados pessoais, patrimoniais e de empresas
que ele representa não estão mais protegidos pelo
famoso sigilo bancário. Basta qualquer governo da União
Européia ou fora dela solicitar informações
sobre contas secretas para serem liberadas pela justiça
local. Daí o motivo do pânico.
Numa estimativa preliminar, empresas americanas e européias,
especializadas em detectar fraudes contra o fisco, e em "lavagem"
de dinheiro de origem suspeita (sonegação de impostos,
evasão fiscal, narcotráfico, contrabando ou simplesmente
propinas, provenientes de superfaturamento de obras públicas,
ou de exportações subfaturadas), calculam que, só
nos "paraísos" fiscais europeus (Suíça,
Mônaco, Liechtenstein, Andorra, San Marino, Ilhas Faroe
e, mais recentemente, ex-países socialistas), existam,
hoje, cerca de US$ 1 trilhão, desviados, durante as décadas
de 80 e 90.
O fisco italiano, por exemplo, estima em US$ 400 bilhões
o total de impostos sonegados (a conta é anterior à
criação do euro) e aplicados em bancos suíços.
Após campanha para repatriar parte dessas divisas, sob
a promessa de anistia fiscal aos investidores, que declarassem
ter dinheiro em bancos suíços, apenas 10% daquele
montante voltaram a circular na economia italiana.
Atualmente, Alemanha, França, Reino Unido, Holanda e Espanha,
dentre outros países comunitários, também
estão fazendo acordos com autoridades suíças
para repatriar parte do dinheiro aqui aplicado ilegalmente.
Nota publicada recentemente no "Algemeine Zeitung",
uma espécie de "Wall Street Journal" suíço,
editado em Zurique, dá conta de que, em poucos meses, as
autoridades monetárias locais planejam liberar listões,
contendo nomes de investidores, que não conseguiram comprovar
a origem dos recursos aplicados, classificados por país
de origem. Uma espécie de lista negra de sonegadores e
de fraudadores internacionais.
Um amigo jornalista daquele veículo me adiantou que, no
primeiro listão de suspeitos de desviar verbas públicas,
contendo cerca de mil nomes, quase a metade é de latino-americanos,
um terço é de asiáticos e africanos, e o
restante é de europeus. Segundo ele, a "cota"
brasileira de sonegadores, com milhões em bancos suíços,
inclui quatro ex-governadores e oito senadores, 16 senadores em
pleno mandato e nada menos que 35 deputados federais, esses últimos
ligados à máfia do bingo.
Daí porque deixo aqui o alerta: atenção,
sonegadores brasileiros: fechem, enquanto é tempo, as contas,
em bancos suíços, transferindo-as para "paraísos"
fiscais mais seguros, como, por exemplo, os localizados no Caribe:
Ilhas Caiman, Granada, Dominica, Panamá etc., ou na Ásia
(Omã, Qatar, Filipinas) e na região do Pacífico
Sul (Tonga, Papua Nova Guiné etc.).
(*)
Werner Ghestaldo é filósofo do cotidiano,
apátrida (nasceu numa cidade que era austríaca e
que depois virou italiana) e atualmente reside em Lugano, na Suíça. |