Papagaio que grita
“olha a polícia!” é
atração em Brasília

Por A.C.M. Carvalhaes
Correspondente

Brasília - Desde que foi aberto, em 1994, o Bar do Eleitor, em Taquatinga, na periferia da Capital Federal, não faturava tanto como nos últimos oito meses. O motivo não é a bebida, nem a comida, mas um papagaio. Congressinho, como foi batizado pelos próprios clientes, é a grande atração e responsável por mais da metade da freqüência do bar. Principalmente aos sábados, quando o bar fica lotado e todos fazem fila para atiçar o papagaio. Uma das brincadeiras dos fregueses é falar que o bar está cheio de mulher bonita. No que Congressinho responde: “Vamos pra cama, vamos pra cama!” Mas a brincadeira predileta é mesmo provocar os políticos.

Inocêncio de Souza, o proprietário, um cearense sorridente de 59 anos, ex-deputado estadual em Fortaleza e ex-vereador em Petrópolis, na região serrana do Rio, mudou-se para Brasília em 92 e ganhou o papagaio de um deputado federal cearense, que lhe disse que a ave era diferente de todas as outras, pois aprendia a falar com facilidade e reagia em seguida a tudo o que lhe diziam. Os fregueses do bar, que desde a chegada do papagaio aumentaram três vezes além do habitual, dizem todo tipo de coisas para ele repetir, mas a piada predileta é gritar “Olha um político!”, no que Congressinho invariavelmente reage: “Olha a polícia!”

O papagaio, segundo Inocêncio, sabe de cor o nome de 67 políticos e, quando se fala o nome deles, solta palavrões impublicáveis.Mas há muitas outras piadas, como gritar “Congressinho, que tal se candidatar a senador?” Então ele responde: “prefiro ser preso, prefiro ser preso!”

Papagaio “disparou”

A ironia do papagaio, se faz a diversão de muitos, também já causou problemas para Inocêncio. Uma vez, uma senhora bonita e elegante parou no bar em busca de informação e alguém falou “Êta dona boa!”, o papagaio ouviu e gritou em seguida, “Leva pra cama, leva pra cama!” Mulher de um senador, a senhora se ofendeu e ameaçou fechar o bar.

Outra vez, durante uma campanha eleitoral, um conhecido deputado cassado parou no bar para tomar uma cerveja, um freguês reconheceu o homem, que não primava pela honestidade, e gritou o “Olha um político!” Ninguém sabe por que, mas Congressinho, que repete o mote no máximo duas vezes, “disparou”, segundo Inocêncio, e ficou gritando sem parar “Olha a polícia!”, até que, indignado, e ameaçando processar o dono do bar, o político foi embora correndo.
Inocêncio arrisca uma explicação para o papagaio repetir tantas vezes a gozação: “Ou ele reconheceu o homem ou então tem um apurado sexto sentido”.