Quando o pequeno se
torna grande no lado social

A convite de autoridades estaduais e municipais, visitei o Conjunto Habitacional Peregrino Gomes Modique, que fica na zona leste de São Paulo, a 45 quilômetros do centro da cidade. Confesso que fui desconfiado, e muito, pois conheço dezenas de conjuntos de moradias populares e quase sem exceção são todos minúsculos, onde mal cabem duas pessoas, ainda mais três, cinco e até dez, como são as famílias de baixa renda.

Mas ao chegar ao local, após tomar três ônibus, numa jornada que durou quase duas horas (fiz questão de não ir de carro, para melhor avaliar a viagem até lá e conhecer o que os moradores vão enfrentar), uma grande surpresa me esperava. Embora pequenas (mais ou menos 22 metros quadrados), as casas são arejadas, bonitas, pintadas de rosa e laranja, muito bem divididas externa e internamente, com sala, quarto, banheiro, quitinete, um quintal com mais de 90 centímetros por 80, e ampla floreira sobre a porta de entrada.E, grande sacada do idealizador : um terreno coletivo reservado para futuro estacionamento de 50 carros! Um prodígio de imaginação e aproveitamento de espaço, façanha digna de elogios do meu velho amigo, o arquiteto e urbanista de origem francesa, mas bem brasileiro, Jonas Douteux Bauge.

De fama internacional,com trabalhos premiados no mundo inteiro, Bauge, conhecido como “o arquiteto do tudo pelo social”, nada cobrou do Estado ou da Prefeitura por este seu revolucionário projeto arquitetônico e urbanístico, que na primeira fase, a ser totalmente concluída em 2018, terá nada menos que 13.290 casas populares para famílias de baixa renda. Quer dizer, cerca de 40 mil pessoas poderão usufruir em breve uma vida nova, mais digna, na casa própria. Parabéns,Bauge, parabéns, futuros moradores! Parabéns autoridades estaduais e municipais!