Não abro mão do Natal

Sei que os leitores vão me chamar de sentimental e “quadrado”, uma expressão muito usada nos meus tempos de jovem.Mas não abro mão de falar sobre o Natal nas minhas colunas de dezembro no Sacolão. Foi assim no ano passado e vai ser assim desta vez. O Natal para mim só perde em importância para a data de nascimento de minha mãe, por sinal, em 19 de dezembro. E para quem não sabe, casei-me com a Clotilde na véspera do Natal de 1958, na Catedral de Petrópolis, talvez a mais bela do Brasil.Porém, isso é outro assunto, que fica para futuras colunas.

Quero contar aqui um dos mais emocionantes dias da minha vida, 25 de dezembro de 1963, que foi mais ou menos nossa terceira lua-de-mel, que passei com a minha esposa na estação de águas de São Lourenço, em Minas Gerais. Enquanto viver não vou esquecer esse dia.

Pra começar, eu e Clotilde éramos hóspedes antigos do Hotel Águas Claras,mas nunca podíamos imaginar que o gerente, o velho e querido Ataíde (que Deus o tenha, é o meu desejo) tinha preparado uma surpresa para nós.

Foi durante o jantar, o salão estava lotado,a simpática e afinada orquestra tocava grandes sucessos da época, não esses horrores de hoje, músicas mesmo, com melodias de verdade, e não os barulhos e gritos atuais. De repente, o maestro Koling Jr., velho amigo meu, interrompe a música e anuncia o aniversário de Clotilde.

Então aconteceu uma estrondosa salva de palmas, minha esposa ficou vermelha que nem um camarão, e passada a surpresa saímos dançando pelo amplo salão, ao som de uma maravilhosa seleção musical feita especialmente para nós dois. Sucessos de Waldyr Calmon, Roberto Inglez, Mantovani, Miltinho, Peter York, Otto Cesana, Glenn Miller, Carmélia Alves, Orquestra Tabajara, Pedro Vargas, Carmen Cavallaro, Gregório Barrios, enfim, música maravilhosa e verdadeira, como nunca mais eu ouvi.

Foi mesmo inesquecível esse Natal de 63. Hoje, viúvo e aposentado, só me resta viver de lembranças. É por isso que nesta época do ano gosto de relembrar meu passado e tentar mostrar ao leitor como eram lindos aqueles tempos.