Sempre que vou a
Brasília algo acontece

Não sou muito de ligar pra azar ou sorte, mas já começo a ficar encucada com as coisas que acontecem sempre que visito Brasília. Foi na semana retrasada, eu estava na festa do deputado Roberto Thomas Jefferson, um velho e querido amigo, a quem devo muitos e muitos favores. Lá pelas tantas, houve uma correria danada, alguns convidados agitados, cochichando e discutindo e o deputado parecia muito nervoso.

Eu quis saber o que era e tudo o que ele disse foi “Agora não, meu bem, depois, depois”.

Já fiquei preocupada, pois nas duas outras visitas que fiz a Brasília, a convite de amigos deputados também, cujos nomes eu prefiro não dizer, pois eu e umas coleguinhas fomos convidadas para uma festa surpresa, aconteceram coisas complicadas. A polícia apareceu de repente e quis levar todo mundo preso e só não fomos pra delegacia porque meu amigo é gente importante por lá. Na segunda vez foi quase a mesma coisa, só que eu e meu amigo fomos surpreendidos dentro de um carro, a alguns quilômetros do palácio do presidente. A gente não estava fazendo nada exagerado, mas os guardas não quiseram saber e nos levaram pra polícia. Deu mais trabalho, mas fomos soltos logo.

Então, com a correria na casa do Jefferson, fiquei bastante preocupada, mesmo estando numa boa, vestida e tudo e me comportando como uma dama de respeito. Fiquei um tempão vendo aquela agitação toda, até que o secretário do Jefferson, que é também um amor de pessoa, entrou na sala e eu perguntei o que estava acontecendo.

“Essa merda de revista, acusando o Roberto de coisas que ele não fez”, gritou nervoso o secretário. “Agora nós vamos ter que dar um jeito nas coisas, e não vai ser fácil não”.

A festa acabou de repente, não tinha mais clima pra nada. E eu, que não entendo nada de política, fiquei boiando, sem saber o que estava acontecendo, e até agora não sei. Por isso que comecei a acreditar em azar. Será que sou eu ou é Brasília?