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Meu
velho amigo Josiel, que tem um lindo sítio no interior,
e de vez em quando me chama para um apetitoso churrasco, vive
me criticando porque eu não me interesso por política.
Outro dia mesmo me chamou de alienado (logo eu, que nem sabia
o que quer dizer isso), porque não dou a mínima
para toda a confusão que está acontecendo com esse
pessoal de Brasília.
Por que me aborrecer, perder meu tempo, lendo sobre gentinha sem
compostura, que ilude os brasileiros para arranjar dinheiro fácil?
É isso que respondo ao Josiel e ele fica furioso, dizendo
que o caminho não é por aí, o correto é
ficar atento e informado para poder lutar contra esses políticos.
Então eu sempre lembro a ele uma vez que me ofereceram
a chance de ser vereador na minha terra, Juiz de Fora, no sul
de Minas. Eu era jovem, muito bem apessoado, e todos gostavam
de mim na prefeitura, onde eu trabalhava. Os partidários
do prefeito me convenceram a aceitar e o bobo aqui caiu nessa.
Três semanas antes das eleições, um figurão
do partido rival descobriu que eu estava muito bem nas pesquisas
e até podia ser um dos vereadores mais votados da cidade
e derrotar o candidato deles.
Sabem o que aconteceu? Durante uma festa de aniversário
na casa do vice-prefeito, esse figurão me levou para um
canto e disse que o partido estava a fim de me dar um monte de
dinheiro se eu desistisse da candidatura. Indignado, disse não,
é claro. Aí o homem ficou zangado e me ameaçou,
contando que ia divulgar para todo mundo que eu era amante da
mulher do prefeito. Eu esfriei na hora, porque a ameaça
tinha lá sua verdade. Confesso que andei com ela umas duas,
três vezes, mas todo mundo na cidade sabia que ela não
era lá flor de muita pureza.
Com medo de que o escândalo pudesse ameaçar o partido
do prefeito, eu acabei desistindo e dei uma desculpa de saúde
para abandonar minha candidatura. Mas antes recusei o dinheiro
e ainda chamei o figurão de canalha.
Foi a minha única e última experiência com
a política. Já lá vão quase 50 anos.
Sempre que lembro a história para o Josiel ele diz que
isso é coisa dos tempos que amarrava cachorro com lingüiça,
e começa a me chamar de alienado. E eu fico firme na minha
convicção. E respondo a ele que minha história
pode ser do tempo do onça, mas políticos e canalhas
não têm idade, estão sempre por aí,
farejando sujeira e dinheiro.
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