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Exposição
mostra raras gravuras surrealistas
sobre o Ano Novo
Por
Monique Saint-Pierre
do caderno Arte Mundial
A
pintora e escultora Annette Aisselle-Tapage (1893-1958) foi um
dos nomes mais conhecidos no mundo parisiense das artes nos anos
20,30 e 40, tendo convivido com os luminares da pintura da época,
como Picasso, Dali, Chagal,Chirico, Andoville e Désuet,
entre dezenas de outros.
Embora sua obra não tenha se destacado, em meio ao riquíssimo
mundo artístico de Paris na ocasião, ela foi grande
incentivadora e patrocinadora de jovens pintores e escultores,
que chegavam às dezenas à capital francesa e a sua
casa, em busca de fama e para tentar conhecer seus ídolos.
Em 1927, aos 34 anos, após vários e tumultuados
relacionamentos amorosos, ela se casou com Jean-Louis Breton,
então um jovem e ainda desconhecido representante do surrealismo,
que se tornaria moda em todo o mundo.
Annette morreu aos 65 anos, em Petrópolis, Rio de Janeiro,
onde morava, após se casar com o industrial Paulo Rodrigo
Lamarque.
O casal teve um único filho, Louis Biberon Lamarque, 37
anos, que no mês passado voltou ao Brasil, após uma
longa temporada em Paris, e decidiu homenagear a mãe, mostrando
ao público parte do extenso acervo que ela deixou. A exibição
começa semana que vem no Espaço Todas as Artes,
na Avenida Aprígio Raoul Dufy, no centro da cidade.
Humor
e suínos
Louis
ficou em dúvida sobre o que mostrar, em meio a uma rica
e imensa coleção de obras de arte que a mãe
juntou durante mais de 40 anos. A conselho de um velho amigo,
o desenhista e caricaturista Barnacle, ele optou por uma rara
série de gravuras e postais que sua mãe recebia
de pintores famosos por ocasião do Ano Novo.
Segundo Louis, a maioria dos 800 postais e gravuras que estão
na mostra são de concepção e realização
convencional, provavelmente comprados em alguma livraria da época.
“Mas muitos são criativos, surrealistas e bastante
bem-humorados”, ele diz. “Os mais divertidos são
os do pintor popular Gustave Cochon, amigo íntimo de minha
mãe, que quase se casou com ele. Cochon dividia seu tempo
entre Paris e sua fazenda nos arredores de Toulouse, onde tinha
uma criação de porcos, que adorava tanto quanto
a arte. Por isso, seus postais tinham invariavelmente os suínos
como tema. Alguns eram bastante originais, mas a maioria era mais
brincadeira, uma sátira aos animais, aos amigos e ao Ano
Novo, que ele detestava”.
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