Oscar é para ingênuos e vassalos

A coisa já passou, mas só para constar e também dar uma satisfação aos meus leitores, recebi no mês passado um convite para assistir em Los Angeles à festa do Oscar. Tudo pago, do avião à cerimônia da entrega dos prêmios, às call girls. Além das habituais e corruptas mordomias dos chefões da indústria americana de cinema.

Claro que recusei.

Eu estaria traindo meus princípios se aceitasse, já que sou, talvez em toda a mídia brasileira, o único a investir sistematicamente contra as mediocridades dessa usina poluidora e destruidora de mentes e corações, chamada Hollywood.

Mordomias desse tipo são sempre irrecusáveis delícias para os coleguinhas da crítica, que saem correndo e dando pulos para aceitá-las, antes mesmo de serem confirmadas pela matriz em Los Angeles. Pobres lacaios dos chamados “irmãozinhos do Norte”.

Além da minha natural repulsa em aceitar subornos desse tipo, havia outro motivo, esse, sim, decisivo, para recusar o convite. Fui convidado para presidente da comissão julgadora de um festival de suma importância para o cinema mundial, chamado Seleção Final de Filmes Alternativos do Sudeste Asiático, que seria inaugurado no mesmo dia do Oscar, no vizinho Uruguai.

Claro que aceitei.

Como me omitir diante da rara oportunidade de tomar conhecimento de obras superiores como “A Maçã Divina de Bunh Pakk”, “Na Condado de Bawang”, “O Erro Mortal de Sapi Kebiri” (premiado no festival de Dien Bien Phu! ) e “Zait,Zait, Zait”, que a crítica francesa considera simplesmente como o maior filme do século 20?

Isso para não falar da presença de dois dos meus cineastas prediletos, os grandes indonésios Sekerup Sosis e Kuning Peniti, convidados especiais do festival.

Só um louco ou vassalo de Hollywood recusaria evento de tamanha importância e significado para os destinos do cinema.

Festa do Oscar, ora bolas, isso é coisa para mentes pequenas.