O que nunca lemos por aqui

Sinto falta de informações e notícias sobre o vibrante e revolucionário cinema do chamado Terceiro Mundo. Tudo o que vemos na imprensa capitalista brasileira é aquilo que a nefanda Hollywood manda para os coleguinhas. Inutilidades, fofocas e aquelas pragas chamadas “bastidores” ou “making off”, que nada mais são do que indecente merchandising disfarçado de informações importantes. Pobre brasileiro, engole qualquer coisa.
Por essas e outras recolhi notícias importantes de publicações independentes, sérias, honestas, que abominam as tolices hollywoodianas. Ei-las:

O premiado cineasta maltês Rodrigo Almadôvar Caliosto (lembram-se do seu maravilhoso “Depois do Sol, a Ilusão Perdida”?), está no Uzbequistão rodando seu novo filme. A origem é o inesquecível romance “Stumpff”, do croata Bolest Magarac.
Vem aí mais uma obra-prima, sem dúvida.

Por falar em obra-prima, o franco-indonésio Michel Djeruk Manis, que foi escandalosamente roubado no último festival de Cannes, numa típica e suja manobra dos americanos, planeja vir ao Brasil para lançar sua grande obra, “Cafard-Lipas”. Será que o merecemos?

Outro cineasta francês de exceção, embora um tanto acadêmico, Gaspard LePoulet, rompeu definitivamente com a revista “Histoires”, onde foi o principal crítico durante um ano e meio. LePoulet não gostou da edição especial da revista, toda ela sobre “Pinóquio”, de Walt Disney, que considerou “uma aberração e um insulto em publicação de tão alto nível”.

O guatemalteco Juan Pablo Enjuague recusou convite para apresentar seu brilhante “Hambriento” no festival de cinema de Nova Orleans. E justificou em telegrama aos organizadores: “Cuidem primeiro das miseráveis vítimas do Katrina, depois pensem em diversão”.

Grande Enjuague!