| Como
todas as brasileiras, estou acompanhando tudo sobre as patifarias
dos senadores. Eles são insaciáveis e cada dia a
coisa piora. Até na minha profissão, que não
é das mais inocentes, como meus queridíssimos leitores
sabem muito bem, temos nossas condutas de honra, e todos respeitam.
Mas entre essa gente a coisa não funciona. Aliás,
nunca funcionou.
O
pior de tudo é que estão lucrando, faturando e trambicando
com o dinheiro do povo brasileiro, com o seu, o meu, o nosso dinheiro.
É bem diferente do que acontece com a gente, que ganha
pelo que faz, pelo trabalho, e, podem crer, um trabalho que não
tem nada de fácil.
Nada
na minha profissão cai do céu, principalmente dinheiro,
é preciso batalhar, dia e noite. Bem diferente dos políticos,
não é mesmo?
Só uma vez tive boa vida, boa mesma, quando eu era bem
mais jovem, mais bonita e bem mais inocente. E vejam só
a coincidência: foi com um senador do Nordeste, que se engraçou
comigo de verdade, durante uma recepção num hotel
em Brasília, e ficamos juntos mais de dois anos.
Ele
era viúvo, rico de dar com pau e montou um apartamento
pra mim, o mesmo onde moro até hoje. Era ótima pessoa,
fino, sério e o que tinha de dizer, dizia na cara, sem
esconder, sem enganar nem mentir, ao contrário dos outros
lá de Brasília.
Senti
muito quando ele foi embora, pois não foi reeleito e teve
de voltar para sua terra e seus negócios. Fiquei para sempre
com a imagem positiva dele. Na época, moça boba
e ingênua, achei que todos os senadores eram assim. Santa
inocência, não? |