O apagão me salvou

Adivinhem onde eu estava quando as luzes se apagaram naquele suspeito blecaute do mês passado?Estava experimentando um vestido, elegantérrimo, numa loja no Rio. À noite, eu iria a uma recepção de gala para conhecer e homenagear a cantora Madonna, que na ocasião visitava o Brasil para pedir dinheiro a um milionário carioca e ajudar criancinhas pobres não sei bem de onde.

De imediato, o gerador da loja foi acionado, as luzes voltaram, comprei o vestido e aí começou o zunzunzum lá fora. Fui olhar e a rua estava no breu quase total, todo mundo dando a sua versão do apagão.

Às claras o Rio é perigoso, imagine naquele blecaute. Resolvi ficar na segurança da loja, e esperei uma hora, duas, nada da luz voltar. O papo com a gerente e as atendentes até que estava bom, mas aí cansei e o táxi que eu tinha pedido apareceu, um milagre naquele caos, e fui para o hotel aguardar tudo se normalizar.

Nada do apagão acabar. Deitei no sofá para ler um livro, peguei no sono e só fui acordar na manhã seguinte, já com o dia claro e ensolarado. Que susto, geente! Liguei correndo para uma amiga, que também fora convidada para a recepção, ela me deu uma bronca pelo cano, expliquei o que aconteceu e quando ela se acalmou eu quis saber como tinha sido a festa, lamentando não ter ido.

Minha amiga não mostrou muito entusiasmo e fez um resumo bastante breve de tudo: “Aquela gente chata de sempre, a Madonna está velhusca, mas o Jesus é lindo”.

Querem saber? Acabou na hora minha decepção por ter perdido a festa.