Filhos do Carnaval

Sou de formação liberal e acho que o sexo deve ser livre, naturalmente dentro de limites de cuidados e bom senso. Por isso, fiquei surpresa com a quantidade de moças que afirmaram estar em processo de gravidez, consequência dos folguedos carnavalescos.
Os dados, limitados a um grupo pequeno, mas representativos, foram-me fornecidos por quatro ginecologistas, ex-alunas minhas, que ouviram de suas pacientes, durante consultas, a suspeita sobre a gravidez.

A coincidência das quatro ouvirem o mesmo relato nos dá uma estatística que, embora mínima, representa um universo do qual são extraídas, em princípio, algumas conclusões. As idades das pacientes variam de 16 a 30 anos. Quer dizer, um extremo ao outro.

Por que não foram usados meios de proteção, como camisinhas? No caso das adolescentes, pode-se entender o ardor e a impulsividade dos jovens por terem ignorado a salvaguarda. Mas, o que dizer das de mais idade, como as de 30 anos? Desconhecimento, esquecimento, desafio?

Volto a lembrar que minha surpresa tem como base uma estatística restrita a um pequeno grupo de mulheres, embora tenha seu valor para interpretações como a que faço aqui. Seja como for, com tanto progresso alcançado nos meios de prevenção da gravidez, fico preocupada com a moçada alheia ao futuro.