Donde é demais

Eu já me casei duas vezes e nada deu certo. Uma pena, mas o que fazer? Estou solteira há dois anos, continuo romântica e esperançosa. Então, quando uma querida amiga me convidou para ir a um barzinho, chamado “Amor e Drinques”, não resisti.

O lugar é perfeito para conhecer rapazes e homens, que por sinal lotavam a casa. As mulheres não eram tão numerosas, o que deixava a concorrência não tão feroz. Logo de cara minha amiga encontrou um velho conhecido e lá fomos os três para a mesa tomar o que chamo de “relaxe e conquiste”.

Não é que alguns minutos depois surge na nossa mesa um tipo bonitão, seus 43 anos, me convidando para uns rodeios na pista de dança. Levantei às pressas e lá fomos nós para o que considerei uma aposta fácil rumo a um romance que até poderia ser algo mais sério. Que ilusão!
Ele abriu a boca e soltou: “Você é de donde?” Eu perguntei: “Como é?” “Queria saber de donde você nasceu”, repetiu. Pensei comigo: Ai meu Deus, ele deve ser o famoso Donde, o rei do português. Não precisei de mais tempo para perder toda a expectativa.

Não sou exatamente uma linguista, mas a fala dele era demais pra baixo. Acho que qualquer mulher razoavelmente educada sairia de fininho e passaria para o próximo. Mas  achei melhor ir embora, com medo de achar outro Donde como aquele no Amor e Drinques. Dei um motivo qualquer para sair, após um adeusinho para minha amiga, e na rua sonhei em abrir um dia um barzinho com o nome de Amor e Português.